O BONDE DAS TRANSGRESSÕES
A verdade é que não estou sentindo vontade alguma de
escrever essa crônica.
A reação exagerada de determinados haters cibernéticos, que
se dizem rubro-negros, é desanimadora.
Eles não querem saber que...
se as cabeçadas do Bruno Henrique, no finalzinho dos jogos
contra Central Córdoba e Cruzeiro, entrassem, o humor seria diferente.
Só que vou considerar que vivemos um feriadão repleto de
transgressões.
Tudo começou comemorando o Dia do Trabalho... sem trabalhar.
Depois, vendo o lançamento do filme “Homem com H”, sobre a
vida do transgressor octogenário Ney Matogrosso.
Sábado, show da transgressora Lady Gaga, que arrastou mais
de 2 milhões de transgressores para as areias da Praia de Copacabana.
Domingo, o pecado rolou no gramado do Mineirão.
Pela primeira vez, na Era Filipe Luís, o Flamengo atuou fora
de casa sem amplo domínio da partida.
Vou confessar uma coisa...
Esse monte de Léos Jardins, atrapalhando nossa vida, está me
enlouquecendo. Espero que, no segundo turno, saibamos neutralizar esses
espinhos.
Vamos então para a minha transgressão.
Quem tem uma vida dentro do esporte sabe a importância do
mérito.
No Cruzeiro, o Gabigol, que jamais aceitou ser substituído aos
40 do segundo tempo...
agora aceita entrar faltando 5 minutos para encerrar o jogo.
E o Fagner platinado? Virou craque!
Abandonou a transgressão, não tentou quebrar ninguém, barrou
o William, que foi destaque na temporada passada, e neutralizou o lado esquerdo
do ataque rubro-negro.
O time mineiro tem um contra-ataque que termina com fortes
chutes de fora da área.
Vocês sabem o que é falta?
Falta era um contato ilegal onde o oponente levava vantagem
através do ilícito.
Atualmente, reinventaram a roda. O De La Cruz recebe falta
em todas as tentativas de avançar com a bola, só que a arbitragem, agora,
resolveu, em nome da dinâmica do jogo, não apitar.
No lance do pênalti, por exemplo, foi muita falta no Bruno
Henrique.
A coisa andou tão complicada que o Rossi, disparado melhor
goleiro em atividade no Brasil, dessa vez, teve até que fazer defesas difíceis.
Na crônica passada, Mãe Dinah afirmou que necessitávamos,
urgentemente, de chutes a gol que acertasse a meta adversária.
Nosso uruguaio favorito, artilheiro do Brasileirão com gols
do tipo “Daqui a pouco eu chuto, mentira! Vou chutar agora” e “Vou chutar de
chapa, mentira! Vai de biquinho mesmo”, ontem lançou o chute “essa vai pra
fora, mentira! Vai lá no ângulo”.
Sabe o quesito “frescor”, que os haters confundem com “frescura”?
O fato é que o Flamengo, historicamente, não apresenta
extremo tesão em véspera de jogo importante da Libertadores. O Landim sempre
reclamou disso.
E a verdade é que, para sermos dominantes como na Era Jorge
Jesus, temos que apresentar linhas altas defensivas que impossibilitem as
confortáveis trocas de passes adversárias.
Só que, numa temporada com a quantidade excessiva de jogos
sufocantes, consecutivos, o tamanho da pressão será proporcional a quantidade
de lesões decorrentes. Simples assim.
Por isso é que acredito que o Filipismo esteja guardando
muita coisa para o momento mais agudo do ano.
A palavra “não” sempre incitará os curiosos e os
transgressores. O Filipismo saberá conduzir a batuta em cada novo desafio. A
experiência sempre será fundamental. E a importância do aprendizado nas
derrotas será demonstrada nos próximos desafios.

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