EXPECTO PATRONUM

O mago Carlo Ancelotti, na coletiva de imprensa após a vitória da Seleção Brasileira sobre o Paraguai, ensinou o seguinte mantra: “Futebol moderno é sinônimo de intensidade. Os técnicos é que decidem em quais momentos colocamos mais, ou menos, pressão. Contra o Equador, jogamos com menos intensidade. Opção minha. Hoje, pressão total”. Essa declaração deveria estar pintada na parede dos comentaristas brasileiros de futebol... e dos torcedores do Flamengo. Isso é tão importante que, na crônica de hoje, vou abortar trocadilhos com o fato do rubro-negro ter jogado na segunda... e do Espérance ter sido o primeiro a morrer. A verdade é que a nota artística sobe demais quando o Flamengo aumenta a intensidade. Tenho certeza de que a Comissão Técnica, apoiada pela diretoria Bapiana, dosou o elenco para brilhar nesse Mundial de Clubes. A grande aposta é baseada na qualidade do elenco e na cultura europeia do comando. Afinal de contas, nunca é demais lembrar que conquistamos Taça Guanabara, Campeonato Carioca, Supercopa Brasil... lideramos o Brasileirão... e nos classificamos na Libertadores e na Copa do Brasil... respeitando a minutagem e a recuperação de lesões dos nossos heróis. Ontem, um primeiro tempo brilhante. A decisão de atuar com 2 volantes lado a lado deu muito certo. Pulgar e Jorginho elevam a nota artística de qualquer apresentação. A opção pelo Varela também foi genial. Aliás, uma coisa já deu para notar. Enquanto Arrascaeta e Pulgar jogam com a bola no chão, o Jorginho se amarra naquelas cavadinhas que estão na moda do futebol europeu. Na segunda etapa, quando o bom técnico do Espérance provocou seus volantes para morder nossos meias... e colocou toda sua artilharia para jogar nas costas do Varela... Optamos por diminuir a intensidade, controlando mais a bola no melhor estilo “arame liso”, abusando dos passes para trás e evitando acionar para o Varela. Quando chegou a hora certa, a entrada de Plata, Bruno Henrique e Michael devolveu a alta intensidade e subiu novamente a nota artística. Teve flamenguista entendendo que Pulgar e cia tinham brigado com o Varela. Afinal de contas, viam ele livre e não passavam a bola. Toda a construção era com o Ayrton Lucas, que foi decisivo no segundo gol. Mudando de assunto, mas falando da mesma coisa, estou eufórico com o fato de que, nesse Mundial, falta voltou a ser falta. Tomara que os caciques da arbitragem brasileira estejam aprendendo. Só sei que a vitória de ontem foi perfeita. Mínimo desgaste. Ninguém estirado no chão após o jogo. Não preciso os tais 110%. Com a volta do Alex Sandro, do Wesley e do De La Cruz, o time está pronto para dominar o Chelsea, que deverá vir com muito mais intensidade do que apresentou contra o Los Angeles. Torço para que a Nação comece a entender que ataque ganha jogos, defesa, campeonatos. O Filipismo deve ter curtido aqueles dementadores do Harry Poter. Neutralizar os pontos fortes dos adversários sempre será prioridade máxima. O mais irônico é que, quando conseguimos, tem analista que prefere concluir que o adversário é que é fraco. Aliás, os haters rubro-negros, aqueles que atiram nos seus próprios heróis... também gostam de dementar. Contra eles, o feitiço Expecto Patronum é a solução. Essa magia prega que devemos recordar de momentos felizes para espantar os negativistas. Sei lá! Viemos ao Mundial para conquistar. Com doses homeopáticas de Expecto Patronum nosso povo poderá ter o mundo de novo.

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