AFOGANDO O GANSO

Jorge Jesus assombrou a cultura futebolística brasileira quando afirmou que o Campeonato Nacional era o mais importante da temporada. Afinal de contas, ele preenche o calendário inteiro e garante sucesso aos times com melhores estruturas. O faturamento não é pontual. Ele assegura rentabilidade financeira constante durante o ano inteiro. Sem nenhuma dúvida, é a empreitada mais complexa para se criar curvas de esforços. Principalmente por ela ser recheada de competições de tiros curtos. O Flamengo segue liderando o Brasileirão 2025. Ontem, apesar da derrota para o Santos, vimos o Palmeiras, o Botafogo e o Bragantino, seus rivais mais próximos, empatarem jogando em casa. Na crônica passada, afirmei que a intensidade ‘à la Bayern’ apresentada contra o São Paulo, num domingo a tarde no Maracanã, não era autossustentável com plantel curto. E que improvisações de jogadores possuem prazo de validade. Para conquistarmos a Tríplice Coroa (Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil), será necessário um plantel robusto, feliz e bem treinado. Ontem, gostei demais da parte tática do Santos. Aliás, enfrentamos o Tite, sem o Tite. Linhas altas com enorme preocupação com a recomposição. Para entender o Flamengo, sempre será fundamental dividir a análise em 2 vetores bem distintos: o comportamental e a nota artística. Para jogar sem centroavante de referência, é necessária uma nota artística acima de 7. Muita movimentação sem bola, passes de efeito e dribles desconcertantes. Ou seja, o Pedro precisa voltar. Os grandes mestres só aparecem diante dos alunos-problema. Nosso artilheiro-reverência criará espaços para que todos consigam melhorar. Bruno Henrique e Plata não andam preocupando ninguém. O Palmeiras se tornou uma potência lançando jovens de personalidade no mercado. O lucro aferido com as vendas para o mercado europeu garante a perenidade do projeto. Nessa semana, assisti o sub-20 do Flamengo derrotar o Atlético MG. Há 2 anos, almocei com o então presidente Landim e cravei que o Flamengo tinha meio bilhão de reais em caixa com a venda futura do Lorran. Ele atende todos os quesitos das planilhas de observação do futebol europeu. É forte, ambidestro, driblador, sabe arrastar bem, cai nas pontas com eficiência e chuta forte. Também sabe cabecear. Ele é cria da Cidade de Deus e já comprou uma casa para seus pais. Seu caminho está sedimentado. Ensiná-lo sobre a importância da recomposição não é tarefa das mais difíceis. O Matheus Gonçalves, com habilidade e irreverência, também está pedindo passagem. Sempre soube que os jogadores veteranos não gostam de abrir espaços para a molecada. Tipo reserva de mercado. Jamais será fácil lidar com novas gerações. Só que a hora é essa, e o Wallace Yan vem comprovando isso. Está cada vez mais difícil de acreditar que Michael e Cebolinha recuperem o melhor futebol. Vendo as estatísticas, percebo que o Cebolinha atuou em 514 minutos nesse Brasileirão. O Matheus Gonçalves, 33. O Wallace Yan, 57. O Lorran nem jogou. Vai entender... Com todo respeito, o Arrascaeta não pode ser o artilheiro do time. Ele não tem fome para isso. A história do GPS segue dando o que falar. Será que o Neymar supera alguém no time do Santos? Historicamente, o goleiro e o centroavante sempre foram os atletas de pior desempenho nos GPS. Só que eles decidem os jogos. Não acredito que o Pedro, que quer brilhar numa Copa do Mundo, não possa participar ativamente de um jogo inteiro. Tipo Haaland e Harry Kane. O Plata tem 2 gols nessa temporada (já estamos no mês 7). Um contra o Juventude, outro contra o Volta Redonda. É um jogador muito aplicado e disciplinado. Ele, se precisar, dá carrinhos na nossa própria linha de fundo. Só que sua nota artística, na área adversária, não colabora. Mudando de assunto, o gol do Neymar foi mais uma consequência das improvisações. Ele procurou a perna esquerda do Varella (que é destro) para finalizar. Numa situação normal, tipo Viña por ali, ele provavelmente não teria conseguido concluir. Outra coisa que não consigo entender, é deixar um jogador afogado em campo. Quando um atleta começa a sentir as pernas pesadas e o fôlego ofegante, tem que ser substituído. Ontem, nitidamente, Plata e Arrascaeta estavam afogados e seguiam em campo. E olha que terminamos o jogo sem queimar todas as substituições. Vai entender. Enfim, segue nossa sina. Perdemos com gols de Gabigol e Neymar. Faz parte. Domingo, enfrentaremos o Fluminense. Será um jogo vital para a autoestima da Nação. Jogo tipo Mundial de Clubes. Espero que nosso brilho no Maracanã volte com intensidade total. Torço para que ninguém ressuscite Cano e Ganso. Muito menos o John Kennedy. Se for para afogar alguém, que seja o Ganso.

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