O JOGO DE TRANSIÇÃO: CONTROLE OU LENTIDÃO?

A melhor maneira de avaliar uma equipe de futebol é observando seu Jogo de Transição. Ele se mede na capacidade de começar a atacar antes do adversário começar a defender... e começar a defender antes do adversário começar a atacar. O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, afirmou recentemente que os treinadores têm o direito de escolher a intensidade que desejarem a cada partida. Vejo que o Filipismo prega, de forma obstinada, o controle do jogo. A posse de bola é quase uma obsessão. O próprio Ancelotti, então técnico do Real Madrid, que gostava de jogar de forma reativa, uma vez questionou isso: “Eles querem a bola? Então podem levar ela para casa. Eu fico com os 3 pontos”, ironizou, após vencer com uma bola letal do Vinícius Jr. O que aconteceu ontem, no primeiro tempo do Fla x Flu, foi uma enorme confusão entre controle e lentidão. Nosso primeiro passe, após a retomada da bola, é sempre para trás. Isso facilita a recomposição do adversário. Temos que ter coragem de contra-atacar o contra-ataque. Avançar com superioridade numérica de jogadores. Mesmo que isso custe menos posse de bola. O Fluminense, do técnico Thiago Silva, ou melhor, Renato Gaúcho, voltou da Copa do Mundo com uma linha defensiva de 5 jogadores no bolso. Eles utilizaram contra adversários notoriamente superiores: Borussia, Inter de Milão, Chelsea e, agora, Flamengo. Respeito é bom e eu gosto. A verdade é que nunca será fácil ultrapassar um congestionamento tão grande de bons zagueiros, além de 3 volantes e um Canobbio que prioriza marcar o lateral direito adversário. O jogo ficou feio. O fato de jogarmos sem nossos laterais ofensivos também colaborou. Léo Pereira aberto na esquerda e Cebolinha centralizado é a essência do que batizaram de arame liso. As entradas de Juninho e Matheus Gonçalves mudaram a dinâmica da transição. E o Pedro segue sendo o melhor 9 do Brasil. Nenhum outro jogador do plantel faria aquele gol escondido no segundo pau, após mais uma cabeçada fundamental do craque Léo Ortiz, que anda sendo o novo alvo dos odiosos haters dito rubro-negros. Aliás, o passe do Juninho para o Pedro, que destilou categoria com a bola nos pés, no lance que originou o escanteio do gol, foi algo digno de aplausos até de quem só sabe criticar. Por falar em Pedro, ele novamente afirmou que está aguardando as desculpas do dirigente rubro-negro que o desvalorizou. Confesso que, mesmo entendendo de Flamengo, não estou conseguindo alcançar essa narrativa. Todos estão afirmando que foi o Boto. Foi mesmo? Depois de ontem, passei a acreditar. Será que o português confiou no Mauro César Pereira para uma inconfidência dessas? Se, e somente se, alguém confiar nesse MCP como confidente... não tem nível para gerir um Flamengo. O que todos estão fazendo questão de não entender é que esse jornalista traiu sua fonte e criou uma situação que só o tempo não irá apagar. Alguém tem que dar um basta nisso. Mudando de assunto, o Viña tem que jogar. O Matheus Gonçalves, também. Insisto que está na hora do Lorran ser aproveitado. Eles têm que evoluir no Filipismo. O professor é quem determina a matéria que cai na prova. Talento eles têm de sobra. Quarta-feira, iremos a Bragança Paulista atrás de uma rara vitória. Nosso time costuma cair de rendimento nesse tipo de jogos. Estádio pequeno, gramado raiz e ambiente hostil nunca agradaram grandes artistas. O time paulista perdeu ontem poupando titulares. Derrotar o Flamengo sempre será um título à parte. Temos que escalar quem estiver com sangue nos olhos. A atitude será tão importante quanto a nota artística.

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