A FERRARI RUBRO-NEGRA

O Futebol apresenta vários excelentes jogadores nas suas mais diferentes funções. Existem até goleiros nota 10. Só que craque, craque mesmo, atua como meia ofensivo. Normalmente gosta de usar a camisa 10. O Flamengo, do Jorge Jesus, por exemplo, encantou o mundo porque tinha um meio-de-campo recheado de talentos diferenciados... e ainda possuía Rafinha e Filipe Luís, que eram laterais que traçavam diagonais para rechear um meio que já transbordava de magia. No primeiro semestre de 2025, batizei de 4 tenores um meio com Arrascaeta, De La Cruz, Gérson e Pulgar... que ainda contavam com Léo Ortiz e Léo Pereira na armação, quando a retranca adversária incomodava. Sem falar no Wesley, que lateralizava o ataque. Ontem, contra o Atlético MG, que está apresentando um recorde em termos de retranca composta por jogadores com alta nota artística, tentamos jogar sem nenhum tenor na maior parte do jogo. Definitivamente, o esforçado e disciplinado Plata não é meia. Muito menos tenor. A maior parte dos nossos ataques (tivemos 75% de posse de bola) encontramos 8 jogadores de preto e branco dentro da própria área, sem contar o bom goleiro. As entradas de Samuel Lino, Saúl e Emerson Royal comprovaram minha tese. Não existem dúvidas de que o Saúl é um tenor tipo Pavarotti. E o Samuel Lino é um atacante com talento digno de utilizar uma camisa 10. O Emerson Royal aparenta ser superior ao Wesley. A assertividade dessas contratações é digna da expectativa criada com os novos scouters do clube. Além disso tudo, cadê o legado do Mundial de Clubes? Cadê a marcação “À la Bayern”, que apresentamos contra o São Paulo FC? O Filipe afirmou, numa coletiva pós-jogo, que tinha que adaptar a intensidade ao calendário sul-americano. O próprio Ancelotti referendou isso. Só que, com o atual plantel, podemos e devemos pressionar mais. Quero muito ver Jorginho, Saúl, Arrascaeta e Samuel Lino sufocando os adversários. Lembra daquele jogador do Boavista se queixando que o Flamengo pulava casinhas? É isso que espero ver no galinheiro. Com Emerson Royal e Alex Sandro, à la Rafinha e Filipe Luís, tirando qualquer espaço atleticano. Os famosos haters rubro-negros estão em polvorosa com o gol atleticano. Principalmente porque foi fruto de inúmeros erros agregados. Começou quando o Léo Ortiz devolveu a bola para o Rossi desnecessariamente. Sempre friso que o passe para trás é o mais fácil de realizar, mas nem sempre é o melhor. Como a jogada foi acelerada, o Léo Pereira recebeu de costas para o Viña, que estava desmarcado. Com a pressa, o Léo Pereira optou por passar de primeira para seu colega de zaga, alternando o lado de saída. Só que, contra pressão alta, onde os adversários estão correndo na direção da bola, é proibitivo ficar parado esperando ela chegar. O Ortiz não foi ao encontro da bola. O Cuello, sim. E olha que o Rossi quase defendeu... e o Léo Pereira correu para a linha do gol. Só que a bola não estava com o Rony. Enfim... A verdade é que, ontem, tivemos que trocar os pneus com o carro em movimento. Algo digno de uma excelente escuderia de Fórmula 1. Temos totais condições de apresentar rendimento de Ferrari na sequência da temporada. De conquistar, por méritos, a improvável Tríplice Coroa. Ter a melhor pontuação entre os corredores... e, também, dominar a disputa dos construtores. Nesses primeiros 90 minutos contra o Galo, surgiu um problema inédito. A nota artística defensiva. A renúncia do Galo foi impressionante. Fiquei impressionado ao ver o Scarpa se esforçando para marcar o Matheus Gonçalves. Ele superou até o Canobbio, que esquece que é atacante para ficar tentando anular o lateral adversário. Nossa defesa, com 2 volantes operários, jogando paralelos, não esteve no melhor dia. As dificuldades foram visíveis. Nossa saída de bola não passava pela segunda linha. Na primeira bola do jogo, o Léo Ortiz foi avançando, com a bola, até a entrada da área do adversário. O Atlético, com o Igor Gomes no lugar do Fausto Vera, que no jogo passado abdicou de jogar para grudar no Arrascaeta, dava espaços para o avanço dos nossos jogadores de defesa. Só que Evertton Araújo e Allan não são tenores. Isso sobre carregou a atuação dos nossos craques defensivos. Mudando de assunto, o Wallace Yan cobrar escanteios já não é demais? É visível que o time melhora com ele em campo... mas devemos tomar cuidado para que não se torne um Deyverson rubro-negro. O Filipe, que ontem teve sua pior, ou “menos melhor”, entrevista pós-jogo, não foi bem em tentar defender o indefensável. Tem hater afirmando que não se estreia uniforme em jogo decisivo, mesmo concordando que a camisa off-white (que aprendi que é um branco que não é branco) é linda demais. Penso que só existe uma superstição que funciona: jogar certo. Sempre que se faz o que se deve fazer... a sorte colabora. Aproveitando essa crônica para falar de coisas que também são Flamengo... Foi histórico aprovar novo patrocínio para o futebol... e melhorar o contrato de segurança do Maracanã, remotamente. Os conselheiros do clube, a partir de agora, podem participar e votar de qualquer canto do mundo. Isso foi um golaço da Gestão Bap e Lomba. Também quero falar do Guilherme Caribé. A natação rubro-negra descobriu esse garoto na Bahia e contratou para se desenvolver representando o Flamengo. Ele ajudou o Flamengo a conquistar títulos nacionais que não ganhava há mais de 20 anos. É um prospect muito diferenciado e, ontem, ficou em 4º lugar na prova dos 100 metros livre do Mundial da Singapura, nadando colado nas maiores feras da prova mais tradicional do nado mundial. Pena que, nessa temporada, perdemos ele para a Unisanta, que investe pesado nessa modalidade, mas tenho convicção de que seu DNA rubro-negro o levará à conquistas inesquecíveis.

Comments

Popular posts from this blog

O CONTRA-ATAQUE DO CONTRA-ATAQUE

DESORGANIZAÇÃO EM DOSES HOMEOPÁTICAS

A VIDA É BELA – PARTE 2 (REINVENTAR)