ARCANJO RENEGADO
Ninguém pode dizer que o Carille não tem imaginação. Para enfrentar um Flamengo mágico, na Casa do Inesquecível, ele apelou para colocar um Arcanjo no gol. Para quem não sabe, arcanjo significa ‘chefe dos anjos’, defensor dos fiéis. Só sei que o goleiro do time baiano poderia estrelar a série da Globoplay denominada da ‘Arcanjo Renegado’.
Se não bastasse isso, ele ainda teve a brilhante ideia de escalar um ponta esquerda (Lucas Braga)... na lateral direita. Acho que o Carille pensou assim: “Vamos enfrentar um dos melhores pontas-esquerdas do mundo. Então, vou colocar um da mesma função para marcá-lo. Quem sabe eles não ficam tricotando e esquecem de jogar?”.
Se não bastasse tudo isso... ele percebeu que o maior incômodo do Flamengo vem dos haters que infernizam a autoestima rubro-negra. Então, escalou o Lucas Halter para ser o xerife da sua defesa. O Halter, com a camisa do Vitória, poderia, por aproximação, também ser considerado um determinante hater rubro-negro.
A verdade é que a tonteada foi tão grande que o Vitória só realizou as primeiras substituições com 6 x 0 no placar.
Só sei que isso tudo contribuiu para o Samuel Lino realizar uma partida digna de All Star Game. Dois gols e 3 assistências resumem sua atuação. E só não marcou mais um porque foi comemorar antes da hora. Se tivesse acompanhado a trajetória da bola, empurraria para dentro após o zagueiro baiano salvar em cima da linha.
O Lino foi tão MVP (Most Valuable Player, ou jogador mais valioso da partida) que até cabeçada estilosa andou fazendo.
Aliás, por falar no Carille, o que foi a saída de jogo inicial do Vitória? Rolaram a bola pra trás... e correram todos para a frente. O Flamengo teve um contra-ataque do contra-ataque com 10 segundos de jogo. Não foi coincidência estarmos vencendo por 2 x 0 antes dos 3 minutos jogados.
Quero aproveitar para afirmar que gosto muito de ideias ousadas. Aquela saída ‘a la Guardiola’, quando se dá um chutão para a lateral próxima da linha de fundo adversária, começando com uma linha alta no lugar de maior pressão do gramado, acho super interessante.
A jogada de escanteio do gol do Palmeiras, ontem, deve ser estudada e copiada.
Aquela saída de bola do Bragantino contra nós, explorando o pé esquerdo do Varela, também. Mas essa do Carille, me lembrou a musiquinha da suruba portuguesa. Enfim!
O Renato Kayser, atacante do Vitória, após a goleada por 8 x 0, declarou que já havia vivido situações piores na carreira. Será que ele estava se referindo a ter jogado no Vasco?
E a arbitragem, hem? Nenhum segundo de acréscimo num jogo de 8 gols e 10 substituições? Acho que o árbitro mineiro também vai solicitar um crachá de arcanjo.
Péra aí! Por que estou falando tanto do Vitória, que ainda não havia levado mais de 2 gols contra ninguém nesse Brasileirão?
Ontem, pós jogo, o Filipe alertou que a torcida do Flamengo tem que apoiar. Se conheço os haters oportunistas rubro-negros, agora vão querer goleadas em todos os jogos.
Aliás, uma fala do Filipe me fez pensar muito. Ele cravou a diferença entre os espaços para cada rodada. Disse que são necessários 4 dias para se jogar novamente. Afirmou que a recuperação total de desgaste de um jogo intenso só acontece 4 dias depois. E que isso deveria ser prioridade na CBF.
Só sei que o Flamengo está encontrando seu onze ideal.
O Pedro, ontem, voltou a ser um mago mesmo fora da área. Tenho memória do Pedro encantando na função de pivô quase no círculo central. Demonstrando ter imã nos pés. Ontem, isso reapareceu. Penso que merecia ter saído com 4 gols assinalados ao cobrar o pênalti do Bruno Henrique. Aliás, por que o BH? Acho que o número 1 é o Jorginho. O 2, o Saúl. Mas, com certeza, o Filipismo poderia ter dado esse privilégio para o Pedro. Seria histórico. Creio que o grupo falou mais alto e algum motivo levou o Filipe a comemorar o gol do BH como se fosse decisivo.
Sei lá, o Rossi também poderia ter batido o pênalti. Assim ele teria conseguido provar em casa que foi trabalhar nessa noite.
Por falar em imã no pé do Pedro, o que foi aquele elástico ‘À la Rivelino’ num dos gols mais bonitos da noite?
A verdade é que o Pedro encarnou algum espírito tipo ‘Leônidas da Silva’, superou marcas, bateu recordes, e comprovou que ainda tem muita lenha para queimar com o Manto Sagrado.
Só sei que o Filipe também pode requerer um crachá de arcanjo.
Vamos falar do tenor Saúl? Ontem, me lembrou da primeira vez que vi o Mozer jogar. Numa época onde os zagueiros davam chutão pro mato porque o jogo era de campeonato, ele interceptava os passes adversários fazendo ligação direta com o Zico. Isso era genial e diferenciado.
A impressão que tenho é que o Saúl joga bobinho 11 x 11.
Aliás, tem muita gente que ainda não percebeu que o Filipismo joga com 3 zagueiros. Ele alterna o lateral direito, o esquerdo e o volante nessa função. Esse é um dos motivos dele gostar tanto do Varella, do Alex Sandro, do Pulgar e do Jorginho. Viña, Royal e Allan são mais ofensivos.
Só sei que, ontem, Jorginho e Saúl conseguiram atuar a maior parte do tempo bem próximos da área adversária. E isso gerou um efeito ‘Bayern’, principalmente quando enfrentou aquele time do 10 x 0 na Copa do Mundo.
Além de proporcionar ao Pedro de levar a bola do jogo para casa.
Sabem qual o momento que mais gostei do Jorginho? Foi quando o Alex Sandro saiu contundido e ficamos com 10 em campo por alguns momentos. Ele gritou com o Léo Pereira para recompor a esquerda, recuou o Saúl e foi jogar de zagueiro. Ele é um comandante com enorme liderança e carisma.
Por falar em Alex Sandro, ontem, no meio do jogo, me lembrei de um grande amigo que amava 3 mulheres simultaneamente. Ontem, comecei a entende-lo melhor.
Ele namorava firme as 3. Me afirmava que encontrava uma mãe numa delas. Em outra, uma fonte de conselhos imperdíveis. Na terceira, sexo dos bons. E que não conseguiria viver sem uma delas.
Só sei que Alex Sandro, Ayrton Lucas e Viña devem estar gerando algo parecido no coração do Filipe Luís.
Voltando a falar de arcanjos...
Fiquei encantado com a narração do Sportv no jogo de ontem. A Renata Silveira comprova que mulher pode narrar com equilíbrio, fôlego, sem gritos, com emoção e esbanjar carisma e graciosidade.
Uma narração tipo Arrascaeta, mais ou menos. E olha que nosso mago sobrenatural voltou a esbanjar forma física e técnica nessa goleada.
Ainda insistindo em arcanjos, e em MVPs, a NBA valoriza demais os 6os homens. O melhor basquete do mundo entende que o 1º reserva, aquele que muda o jogo, é essencial para uma temporada de sucesso.
A verdade é que o Luís Araujo é o melhor 12º jogador do Brasil.
Os mais de 100 mil rubro-negros que lotaram o Maracanã sábado e segunda, andam inebriados.
Sábado, chegou a hora do Barcelona. O enredo da decisão do Intercontinental U20 foi ‘À la River Plate’.
Em Lima, o Diego Ribas realizou um passe genial para imortalizar o Gabigol. Sábado, foi o lateral direito Daniel Sales. Ele para, olha, acena para o Iago, e faz um lançamento ‘À la Gérson Canhotinha de Ouro’ na cabeça do nosso gigante zagueiro, que consegue uma das cabeçadas mais impressionantes que presenciei em toda minha longa carreira de torcedor campeão.
A verdade é que ‘Herói o Flamengo também faz em casa’.
Duas coisas não entendi nesse jogo onde a Nação lotou o Maraca num jogo da base:
Por que o Deyverson rubro-negro não jogou? A partida do profissional era somente na segunda-feira, e ele não é mais protagonista lá em cima.
Segundo, e mais grave. Por que não vi o Lorran jogando ‘À la Arrascaeta’? O prospect rubro-negro, que abriu o placar aos 10 minutos de jogo, no momento em que a torcida homenageava os Garotos do Ninho, tem que ser trabalhado nesse sentido.
E o Matheus Gonçalves ‘À la Plata’? e o Shola ‘À la Lino’? Cadê a linha alta dos juniores? Esses meninos não deveriam estar sendo condicionados para quando atuarem nos profissionais?
Deixa pra lá. Senão a gastrite volta. E quem tem Jorginho, Saúl, Arrasca, Pedro, Lino e cia, não necessita de Omeprazol.

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