GASTRITE RUBRO-NEGRA

GASTRITE RUBRO-NEGRA Um dos dirigentes mais queridos do Flamengo, por quem nutro enorme respeito e carinho, e que sempre curte minhas crônicas “Para Quem Entende de Flamengo”... Comentou, após a leitura da vitória sobre o Mirassol, que eu estava muito ácido. Pensei bastante sobre o assunto e vou apresentar algumas considerações conclusivas: 1- O Bap, nas últimas eleições, pregou que jogo de futebol se ganha no último terço de tempo jogado; 2- Também defendeu que as contratações devem ser realizadas nos primeiros dias de cada janela de transferências; 3- O Flamengo tem orçamento para montar uma verdadeira seleção sul-americana, acostumada em jogar na altitude e em gramados de pior qualidade; 4- O Boto optou por ir no mercado europeu para reforçar nosso plantel; 5- O Filipismo derrotou o Chelsea, campeão mundial, e insistiu em jogar “à la europeu” contra o Bayern, sendo muito elogiado pela crítica do velho continente. 6- O Filipe, depois da vitória sobre o Mirassol, elogiou uma simples pergunta sobre se a escalação da dupla Arrascaeta / Pedro retirava a alta intensidade da equipe. Disse que optava por jogar de forma lenta, não vertical, para o time jogar compacto, e os magos Pedro e Arrascaeta poderem brilhar. Afirmei, então, que entre a lentidão horizontal e o Pedro, ficava com a verticalidade sem a presença do nosso artilheiro-craque favorito. Ontem, quando vi o Filipe afirmando, numa entrevista oficial uma hora antes do jogo, que seria a partida mais importante até aqui na temporada, e vi a escalação sem a dupla de mágicos da bola que não conseguem dar piques de 70 metros, senti um otimismo exagerado em relação à uma grande atuação. Pensei até em massacre. Principalmente porque a dupla de volantes seria Jorginho e Allan, que gostam de estender o primeiro passe. A primeira coisa que não entendi, e não concordei, foi ver o Allan, que não chega a ser um pitbull, atuando entre os zagueiros, com o Jorginho mais à frente. Foi aí que minha acidez voltou. Penso que estou com gastrite rubro-negra. Sendo justo, dessa vez jogamos pra frente. Até o Rossi jogou com passes longos. Só que esbarramos em 2 fatores que desacostumamos a conviver: 1- Muitos jogadores mal tecnicamente. A nota artística defensiva do adversário superando a nossa ofensica; 2- Time fragmentado. Os atacantes tendo que enfrentar um punhado de defensores colorados porque nossa linha média não avançava com a mesma velocidade. Queremos ver, quase sempre, 8 rubro-negros no nosso ataque, dentro, ou muito próximo, da área adversária. A verdade é que as atuações de Jorginho, Alex Sandro e Plata foram irreconhecíveis. O Jorginho está se resumindo à um cão de guarda dos bons. Tipo Cuellar. Só que, para ele, que já foi Top-3 do futebol mundial, é pouco. O Alex Sandro voltou da lesão mal tecnicamente. Está evidente que o Viña, que também é um craque nível Europa, tem que jogar. Sei que não é nada fácil enfrentar o mesmo adversário 3 vezes seguidas, principalmente sendo 2 jogos na casa deles, mas o jogo do próximo domingo será uma boa oportunidade para voltarmos a curtir 4 tenores. Jorginho, Saúl, Arrascaeta e Carrascal podem rechear o meio de campo. Penso que isso pode dar bom. Confesso que só vi a entrevista pós jogo do Filipe agora de manhã. Nela, nosso jovem técnico confessou que estava com sono. Ainda bem que não fui só eu. Penso que ele tem que elaborar um plano de jogo com substituições pré-programadas, onde o time cresça nos últimos 30 minutos. Que amasse nos acréscimos. Dessa forma, a partida pode acabar de madrugada que ninguém vai dormir. Se não, é melhor enfrentar o Red Bull em todas as rodadas. Aproveitando a crônica para falar de coisas que também são Flamengo, ando numa felicidade sem precedentes ao ver a prospect nadadora, Joice Otero, conquistando ouro nos 100 borboleta do Panamericano Júnior, com direito a recorde. Ela não só é Flamengo, como foi criada nas piscinas da Gávea. Quando assumi a gestão dos Esportes Olímpicos do clube, olhei para as piscinas e perguntei: “Por que não podemos formar campeões internacionais nesses equipamentos?” Só sei que Joice, Stephan Steverink e Guilherme Caribé, que evoluíram em águas rubro-negras, estão brilhando em competições da altíssimo rendimento. Por falar em alto rendimento, quem também está me enchendo de orgulho é a prospect do vôlei, Isa Salaberry. Sempre lutei para que ela tivesse um treinamento individualizado na base rubro-negra e fosse elevada para as categorias superiores. Após nossa saída do clube, ela optou por migrar para a praia... e conquistou o Sulamericano Júnior, se classificando para o Mundial da categoria. A fábrica de prospects da Gávea gerou muitos futuros heróis que estão germinando agora.

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