CARTÃO AMARELO NÃO PODE SER CRIME
Ando profundamente decepcionado em ver opiniões de profissionais ligados ao esporte e ao jornalismo sobre o julgamento dessa semana do Bruno Henrique.
Sei que, no Brasil de hoje, vai ter gente dizendo que pauto minha opinião no fato de ser flamenguista.
Então, vou tentar ser o mais didático possível... e, se precisar, desenho no final.
O julgamento foi no Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
E o crime, foi o fato do Bruno Henrique ter avisado para seus familiares que iria levar o terceiro cartão amarelo no jogo seguinte. Com isso, seus parentes apostaram numa bet da vida na certeza de que ganhariam algum dinheirinho,
Péra aí! Vocês sabem o que é um cartão amarelo?
Os cartões foram inventados para que os árbitros não precisem se dirigir oralmente aos jogadores em campo.
E o amarelo significa “Não faça isso novamente, senão vou te expulsar do jogo”.
Como pode um cartão amarelo, mesmo voluntário, ser tipificado como conduta criminosa?
Como pode alguém considerar que provocar um cartão amarelo impacta no resultado de uma partida?
Como pode um cartão amarelo ser confundido com manipulação de uma competição?
Ok. Na área cível, o entendimento é outro.
Só que, para haver criminoso, tem que haver crime. Para haver assassinato, tem que haver vítima.
Para haver réu, tem que haver denúncia.
A verdade é que as bets possuem um sistema de rastreamento que identifica apostas anormais e bloqueia o jogo.
No caso da família do Bruno Henrique, ninguém recebeu o dinheiro das apostas.
Nenhuma casa de apostas denunciou qualquer ilegalidade.
Outra possível vítima seria o próprio Flamengo. Ele poderia entender que seu funcionário estaria criando um fator ilegal para não trabalhar.
Só que o Flamengo não pensa assim.
É normal na cultura do futebol, forçar o terceiro cartão em véspera de convocações, e para garantir a presença em grandes jogos.
Tem alguns profissionais tentando colocar o Bruno Henrique no mesmo balaio de outros atletas que manipularam resultados de jogos.
Tentam analisar com a mesma gravidade daqueles que se envolveram com máfias do jogo.
Isso é muito decepcionante.
Enfim, vou parando por aqui. Afinal de contas, as bets andam financiando todos os setores vitais do esporte. Não que nenhum problema com qualquer delas.
Só que penso que o jogo deve ser legislado. Não vejo problemas em se apostar num resultado de uma partida, que é consequência coletiva.
Penso que cartões amarelos, escanteios, laterais e outras ações individuais não deveriam poder estarem no escopo das apostas.
No fim de uma partida já decidida, a tentação sempre será enorme.
E, não podemos esquecer que, afinal de contas, a química entre jogo e apostas sempre será perigosa.

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