MELHORES DO MUNDO

OS MELHORES DO MUNDO Jamais esquecerei que uma das primeiras atitudes radicais do Jorge Jesus foi afastar o Cuellar, que era muito ídolo da torcida do Flamengo, em função da raça e dos carrinhos espetaculares que realizava. Sempre acreditei que era impossível jogar com 10 Zicos ao mesmo tempo. O Jesuismo desconstruiu essa teoria. Jogando compacto, subindo as linhas e atacando o adversário desde o momento em que se perde a posse da bola, podemos jogar com 4 meias compondo um meio de campo digno dos grandes tenores. Aliás, há muito tempo que se descobriu, no Brasil, que transformar um meia num volante é o segredo do sucesso. Vampeta e Rincón já encantaram, jogando pelo Corinthians, no início do século. Sempre afirmei aqui nesse espaço que, analisando a carreira do Saúl, que é um meia diferenciado, mesmo jogando de volante. Meu sonho é ver Jorginho, De La Cruz, Saúl e Arrascaeta apresentando, no gramado do Maracanã, a quinta sinfonia de Beethoven, que é aclamada pela icônica luta contra o destino. Vou confessar uma coisa: Joguei fora minhas caixas de Omeprazol. Num dos domingos mais intensos da minha vida, em que fechei minha programação indo ao recém-inaugurado Teatro de Ilha, rir com os Melhores do Mundo, que possuem 30 anos de existência, sempre com a mesma formação nos palcos, vi o Flamengo apresentar enorme evolução com treinamento dessa Data-Fifa. E olha que, dessa vez, o Filipismo entendeu que se deve analisar a sequência de jogos. Antes de qualquer coisa, fiquei surpreso com o gramado do Alfredo Jaconi, na Serra Gaúcha. Nossa inacreditável mídia interpretou os números de 13 jogos, 07 derrotas e 06 empates, para dizer que o Flamengo não vencia em Caxias do Sul há 28 anos. Claro que esses números não são bons, só que 13 jogos vão dar, no máximo, 06 anos. No resto, o Juventude não frequentou a mesma Série A do Flamengo, enfim... Minha memória me remetia à gramados raiz, encharcados, em horários péssimos e outras cositas más. Ontem, não. Temperatura agradável, sol equilibrado e gramado nível Itaquerão ajudaram a vermos uma exibição diferenciada. Vamos, então, ao jogo. Vi o Flamengo, com o Allan (que é o jogador que mais se sacrifica no nosso elenco) de cão de guarda, avançar o Saúl para muito perto da área adversária. A principal evolução no jogo de ontem foi o aumento da distância dos passes de transição e a velocidade deles. O aumento da intensidade dos deslocamentos sem bola também auxiliou esse crescimento. Até o Rossi andou encantando, jogando de 10, com quebradas diferenciadas. Aliás, penso que o Rossi deveria receber um prêmio vitalício de destaque do Flamengo em todas as partidas dessa temporada. Continuo entendendo que o estabanado Luiz Araújo tem disposição, mas não tem nota artística para fazer o quarto homem de meio de campo. Ele tem fome de gol, tem sede de desarmar os adversários, mas se atrapalha mais do que resolve, e continuará sendo o melhor 12º jogador do Brasil. Outro fator de destaque no jogo de ontem foi o Royalindo, que anda, cada vez, mais parecido com o Rodilindo. Ele, no Tottenham, andou brilhando como volante. No Flamengo, o Filipismo, identificando sua enorme força física, quer ver ele atuando aberto, com ultrapassagens constantes, e fechando ataques no segundo pau. Aliás, tem hater que ainda não entendeu que o Flamengo tem um modelo de jogo, com o Samuel Lino aberto na esquerda, e com o Arrascaeta também caindo por ali, que pede um lateral esquerdo que atue sem tanto ímpeto ofensivo, exercendo, em muitos momentos, até a função de terceiro zagueiro. Por isso é que o excelente Viña vem tendo menos espaços. A verdade é que o Filipe demonstrou que o modelo do Flamengo é semelhante ao da Seleção Brasileira contra o Chile e, a partir de agora, nosso Royalindo, bebendo desse conteúdo tático, poderá em pleitear um crachá para a próxima Copa do Mundo no time do Ancelotti. Outro enorme ganho no jogo de ontem, foi a entrada do Carrascal. Na verdade, ele exerce a mesma função do Arrascaeta, que vive seu melhor momento na carreira, mas está descobrindo que pode exercer, também com excelência, outras funções. Ele pode atuar na direita, no ataque e, ontem, caiu na esquerda para realizar um cruzamento de cinema para o gol do Royalindo. Sou muito fã dos Melhores do Mundo, mas reconheço que acho alguns melhores do que os outros melhores. Sou, assumidamente, membro da diretoria dos fã-clubes do Rossi, do De La Cruz e do Danilo. Ontem, o Danilo, que quer jogar sua 3ª Copa do Mundo, afirmou que aproveitou a Data-Fifa para aprimorar sua condição muscular. Disse que ficou bolado em ter dois problemas musculares na mesma temporada. Declarou que é viciado em trabalhar e odeia macas e treinar em separado. Sensacional! O Danilo é uma das principais referências do plantel rubro-negro. Durante o jogo, quando o Lino perdeu duas bolas que poderiam ter dado contra-ataques para o Juventude, ele não deixou barato. Sua liderança estanca qualquer problema que surja nos gramados. Todo grande time precisa de jogadores assim. Falando no Lino, o que foi aquela tesoura voadora do Gabriel Taliari? Só sei que ele pode não ter sido expulso, mas foi, automaticamente, incluído no grupo de zap do Kannemann, onde o Lyanco também é administrador. Voltando ao que interessa, o jovem Thiago Carpini, técnico do Juventude, afirmou, antes do jogo, que o Flamengo era um time europeu jogando na América do Sul. Outro fator visível no jogo de ontem, foi o inédito crescimento da dinâmica do Flamengo no último terço de jogo. As substituições, inclusive, elevaram o rendimento em campo. O normal sempre será que os adversários se extenuem para equilibrar o jogo. Então, devemos amassá-los no final das partidas. Conseguir 2 gols de cabeça no mesmo jogo, principalmente considerando que nenhum deles foi de zagueiro, é um vetor claro do crescimento da equipe. E a verdade é que, também em 2019, o Flamengo atingiu a excelência nesse momento da temporada e, jogando como ontem, com velocidade e passes mais longos, e chegando com até 8 homens na área adversária, nosso time deverá receber crachá de time da primeira prateleira dos Melhores do Mundo.

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